João 20.19-25
Ciclo da Páscoa
P. William Felipe Zacarias
Amados irmãos, amadas irmãs,
quais portas precisamos destrancar para sermos uma igreja mais missionária? E a nível pessoal: quais portas você precisa abrir em sua vida para transformar o medo em alegria? Onde sua vida está parada esperando por movimento e missão? O que tenho a dizer a nós hoje é: A paz do Cristo ressuscitado transforma o nosso medo em missão através do poder do Espírito Santo.
1 A PAZ QUE VENCE O MEDO (v. 19-20)
Era um domingo – já no fim da tarde. A escuridão começava a cobrir a terra. E, na escuridão, o medo aumenta! A portas fechadas estão os discípulos. Eles têm medo. Medo de que o mesmo que aconteceu com Jesus poderia acontecer com eles. Temiam ser condenados pelo Sinédrio e serem crucificados. É isso que o medo faz: o medo aprisiona, sequestra, inquieta, suga todo o vigor. O medo é uma das grandes forças incapacitantes dentro do próprio ser humano. É um instinto de sobrevivência diante do perigo. É a vida preservando a si mesma.
Então, Jesus simplesmente aparece aos discípulos. Ele não é um fantasma ou um espírito, mas possui um corpo glorificado pela Ressurreição. Ele não precisa abrir portas. Ele simplesmente apareceu, se revelou aos seus amigos – apesar de estar faltando um deles. Àqueles trancados pelo medo incipiente, Jesus diz: “Shalom Aleichem” que significa “a paz seja com vocês” (v. 19). Esta saudação é conhecida pelos discípulos. Jesus já havia dito “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou” (João 14.27); e, conforme Mateus 10.12-13 e Lucas 10.5, ao enviar os setenta em missão, Jesus ordenou que ao entrarem em uma casa, saudassem seus moradores com a frase “paz seja nesta casa”. Lembremos também João 16.33: “Tenho-vos dito estas coisas para que em mim tenhais paz. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo: eu venci o mundo”; e Mateus 5.9: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Shalom Aleichem não é apenas um “boa tarde”, mas a paz integral que só o próprio Senhor pode dar – conforme já havia prometido.
Então, Jesus lhes mostrou as suas feridas nas mãos e no seu lado – as feridas da cruz! O ressuscitado é reconhecido pelas marcas da cruz. Ao ressuscitar, Jesus não apagou a cruz como algo a ser esquecido: suas marcas apontam que ela deve ser lembrada. Conservou as marcas para não deixar dúvidas de que o que foi ressuscitado é o mesmo que havia sido pregado na cruz! O Cristo na cruz não nega a ressurreição, mas a empodera! Cristo realmente morreu; por isso, realmente ressuscitou!
Ao ver as feridas, os discípulos não ficam bravos ou tristes; ao contrário, “se alegraram ao ver o Senhor”. O medo foi embora. Em seu lugar chegou a alegria. A paz de Cristo transforma a incapacitação do medo em uma capacidade para plena alegria na boa notícia da ressurreição.
2 A PAZ QUE COLOCA EM MISSÃO
PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO (v. 21-23)
Jesus anuncia a paz mais uma vez. Ele não ressuscitou para perseguir seus algozes. Ele não ressuscitou para acabar com os que lhe condenaram. Ele não ressuscitou para dar cabo dos que lhe impuseram tanta humilhação. Ele ressuscitou para a paz. Aqueles que o crucificaram foram, na verdade, usados, pois Jesus sabia desde o início que sua missão iria passar pela cruz – como tantas vezes disse aos seus discípulos.
E então, com o anúncio da paz, os discípulos são colocados em missão: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês” (João 20.21). Chega de ficar trancado. Chega de ficar com medo. Chega de ficar paralisado. É hora de se mexer. É hora de agir. É a hora de ir. Jesus foi enviado pelo Pai à cruz – e agora os discípulos também vão precisar carregar sua cruz pela mensagem da ressurreição! O caminho não será fácil. Haverá perseguição e morte! Mas vale a pena: o Senhor ressuscitou.
Além disso, não estarão sozinhos, mas receberão o Espírito Santo – procedente do Pai e do Filho (filioque). Assim como o fôlego de vida foi soprado em Adão (cf. Gênesis 2.7), agora o fôlego da nova vida do Espírito Santo é soprado aos discípulos. Pelo sopro do Espírito Santo, os apóstolos são autorizados a pregar o Evangelho e a anunciar o perdão dos pecados: “Se de alguns vocês perdoarem os pecados, são-lhes perdoados; mas, se os retiverem, serão retidos” (João 20.23). Pelo poder do Espírito Santo, poderão proclamar a paz do perdão dos pecados, o anúncio da graça de Cristo, a absolvição. O ser humano está autorizado por Deus a anunciar o perdão, mas quem concede o perdão é o próprio Deus. A verdadeira paz do perdão vem de Deus.
3 A PAZ QUE ALCANÇA O AFASTADO (v. 24-25)
Mas... Há alguém faltando no grupo. Uma ovelha se desgarrou do rebanho. Um “aluno” está ausente na chamada. Ele não pôde ver e presenciar o que seus amigos viram e presenciaram. Ele está distante. Tomé preferiu suportar as dores da crucificação de Jesus sozinho. Precisa de um tempo para si. É muita coisa para assimilar. Muita coisa aconteceu em uma semana.
Os outros apóstolos sabiam onde Tomé estava – e foram chamá-lo. Não podem deixar o amigo sem a boa notícia da ressurreição. Então, pelo poder do Espírito Santo, o primeiro a ouvir o testemunho apostólico da ressurreição é um apóstolo. O testemunho é simples: “Vimos o Senhor” (João 20.25). Isso é tudo. Isso é o bastante. Mas Tomé é crítico – e sua dúvida alimenta a nossa fé! Dado tempo ao tempo, ele mesmo pôde ver e crer no Senhor e se alegrar com os demais pela maravilhosa obra que Deus havia feito entre eles.
Amados irmãos, amadas irmãs.
a paz do Cristo ressuscitado transforma o nosso medo em missão através do poder do Espírito Santo.
Quais portas precisamos destrancar para sermos uma igreja missionária? Onde você está preso com medo e angústia? Onde a sua vida precisa de paz? Pois a mensagem de hoje nos diz: “Paz seja com vocês”, “Shalom Aleichem”. Receba a paz do ressuscitado. Ele quer trazer à você e à nossa Comunidade vida e vida em abundância (cf. João 10.10). Receba hoje a paz de Deus. E que a paz de Deus te coloque em movimento, em missão. A paz de Deus não nos coloca na zona de conforto, mas nos tira dela. E que o Espírito Santo te inspire para que você continue sua missão.
Amém.