Lucas 1.46-55
Calendário Civil
P. William Felipe Zacarias
Amados irmãos, amadas irmãs,
de todas as mães da Bíblia, ela foi uma mãe exemplar. Ela é aquela que recebeu a missão mais especial de todas. Foi escolhida não por sua postura ou por suas posses, mas por causa da sua humildade. Estou falando de Maria, a mãe do Senhor Jesus.
Antes de falar da sua maternidade, é importante lembrar o que nós, evangélicos de confissão luterana, acreditamos sobre Maria.
Cremos que foi salva. Cremos que foi bem-aventurada entre as mulheres ao ser escolhida para ser vaso receptor da obra do Espírito Santo, que permitiu a encarnação do Verbo Divino. - Cremos que ela foi amada por Deus, nosso Pai. - Cremos que ela, mulher de oração, recebeu o Espírito Santo juntamente com os apóstolos e os discípulos no dia de Pentecostes. - Cremos que ela amava a Palavra de Deus e lia o Santo Livro com meditação profunda. - Cremos no seu exemplo vivo de fé e submissão à vontade de Deus. - Cremos que devemos seguir seu exemplo de santidade e pureza de coração.[1]
E cremos, como professa o Credo da Calcedônia (451 d. C.) que Maria é Theotokos – mãe de Deus – e que isso diz mais sobre Jesus que sobre a própria Maria.
Contudo, com todo respeito aos nossos irmãos da Igreja Católica Apostólica Romana, nós, evangélicos de confissão luterana, não cremos nas imagens feitas dela, não acreditamos que Maria intercede por nós agora e na hora da nossa morte, não acreditamos que Maria faz a mediação entre Deus e os homens. Cremos que Maria foi escolhida por seu exemplo de humildade e submissão à vontade de Deus. E somos chamados a crer de todo o coração no Filho de Maria: Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
E então, Maria, essa mulher humilde, pobre e à margem, recebeu o chamado mais especial de toda a Bíblia. Vários homens foram chamados a ser reis e profetas. Mas apenas Maria foi chamada a ser a mãe do Filho de Deus. Ela não é a mãe de todos nós – mas é um exemplo de mãe para todos nós.
A Bíblia não nos conta como foi a infância de Jesus. Apenas sabemos que um dia ele desapareceu, sendo encontrado dias depois ensinando no templo com apenas 12 anos de idade (cf. Lucas 2.41-52). Contudo, o que sabemos sobre Maria é o essencial: “sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração” (cf. Lucas 2.51).
Eu tenho muita curiosidade sobre a infância de Jesus. Se você, mãe, pudesse encontrar Maria, o que perguntaria a ela? Talvez algo assim:
· Como foi a criação dos filhos?
· Eram comportados?
· Qual foi a primeira palavra que disseram?
· Chegou a ficar doente?
· Houve momentos difíceis?
· E como eles estão hoje?
· Como era vê-lo orar?
· Você se sentia estranha ensinando a Ele como ele criou o mundo?
· Ele agia de forma diferente quando um cordeiro era levado para o matadouro?
· Alguma vez passou pela sua mente que o Deus para quem você orava estava dormindo debaixo do seu teto?
· Alguma vez, você pensou: “Aquele é Deus, tomando a minha sopa”?
Infelizmente, não temos as respostas. Mas importante é saber que Jesus foi educado na espiritualidade judaica seguida pelos seus pais. O menino era levado ao Templo onde comemoravam a Páscoa juntos.
Martinho Lutero pensou e escreveu muito sobre Maria. Inclusive, Lutero escreveu um livrinho chamado “Magnificat” que é a sua tradução e interpretação do texto do Evangelho que nós ouvimos hoje. Sobre Maria, Lutero diz:
Maria não diz: “Minha alma engrandece – a si mesma”, ou “me tem em alto apreço”; tampouco queria que se fizesse muito caso dela. Muito antes, ela engrandece exclusivamente a Deus; atribui tudo somente a ele. Ela se despoja de tudo e devolve tudo a Deus, do qual o havia recebido.[2]
E continua:
Portanto, quem quiser honrá-la devidamente não deve contemplá-la de forma isolada, mas deve vê-la diante de Deus e muito abaixo de Deus, despojando-a de tudo e (como ela diz) contemplando sua nulidade. Então, sim, ficarás maravilhado com a exuberante graça de Deus que contempla, recebe e abençoa ricamente e com tão grande misericórdia uma pessoa tão insignificante e nula.[3]
Portanto, a maior lição que Maria pode deixar a nós no dia das mães é seu exemplo de submissão à vontade de Deus. Há uma frase que diz: “Mães, não apenas apresentem Deus a seus filhos, mas apresentem seus filhos a Deus”. Assim como Maria, as mães são chamadas a uma vida dedicada a Deus em oração e meditação na Palavra. Há um hino em que uma mãe diz a um filho: “Do meu amor podes fugir, mas não da minha oração!”
Queridas mães, sejam estas “marias” que meditam a Palavra de Deus no coração, buscam a vontade de deus, aceitam a vontade de Deus e vivem a missão de Deus. Sua missão não é gerar o Filho de Deus – mas conduzir seus filhos ao Filho de Deus, Jesus. E que o Senhor que conhece tuas vitórias e lutas, tuas alegrias e dores, teus pontos altos e baixos, faça sempre surgir novas surpresas que alegram o dia e relembram o quanto a maternidade é esse dom tão precioso vindo de Deus. Amém.
[1] P. Artur Jaske.
[2] OSel V, p. 31.
[3] OSel V, p. 45.